quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Seu erro foi me conhecer.


Essa era diferente. Não se importava com que os outros pensavam.
E não tinha papas na lingua.
Acho que o único erro foi ter me conhecido naquele maldito bar.

O erro poderia ter sido dela,
mas analisando tudo agora percebo que os méritos são todos meus.
Fui perdendo a paciência.
Ela era muita coisa pra minha mente liberal.
Acabei me tornando um falso moralista.
Acabei me tornando o que mais odiava.
Um falso e ainda por cima moralista.
Ela encheu o saco de mim.
E disse: “seu erro foi me conhecer.”.
Merda. Ela estava certa.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Casos do Acaso (2/7): Devaneios de Boteco.



Então sento em uma mesa de boteco.
Coço a cabeça calmamente.
Estou entre os taxistas, bêbados e passageiros.
Ouço conversas alheias.
Falam de futebol, cerveja e mulher.
Empurro o conhaque goela adentro.
Acendo um cigarro.
(...)
O chuvisco dar um charme ao dia.
O olhar se perde no meio daquela confusão.
Uma criança chora.
O Cachorro corre.
Pessoas correm pra resolver os seus problemas.
Os ônibus repetem sempre o mesmo caminho.
(...)
A vida e o seu ciclo vicioso.
E nos estamos fadados a viver nesse ciclo.
As pessoas nunca esperam.
Se importam demais com as burocracias e problemas.
Perdem o tempo fazendo coisas que não querem.
Sempre querendo tudo.
Esquecem que eles próprios são tudo o que têm e o que restam.
(...)
Me encontro no meio dessa correria.
Tomo outro trago do conhaque.
As moscas migram de uma mesa à outra.
As pessoas imitam as moscas.
O Esporte continua na tv.
Eu estou no meio de tudo isso.
Terminei o conhaque.
Levantei.

Fui embora sem ao menos dizer adeus...

Primeira parte.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Algo sobre o amor.




                    - Acho que tu não sabe amar. –disse ela.
                    Talvez esteja certa.
                    Nem eu.
                    Nem ela.
                    Nem o resto.
                    O amor é egoísta.
                    Assim como as oportunidades.

                    Fiquei olhando apenas para o teto.
                    Não havia o que falar.
                    E para não falar merda
                    É melhor ficar calado.
                    Enquanto isso ela solta
                    Suas rajadas de verdades enganadas.

                    Eu estava numa ressaca
                    Que já durava três longos dias.
                    Fui ao banheiro.
                    Dei uma mijada para expelir
                    Todas as porcarias consumidas.
                    Meu corpo estava uma merda.
                    Decidi ir ao chuveiro.

                    Pensei um pouco sobre o amor,
                    Sobre a solidão e até mesmo sobre a traição.
                    Entre o amor, traição e solidão
                    Sempre entendi mais o lado da ultima opção.
                    Eu entendia pelo simples fato
                    De que eu estava sozinho no banheiro.
                    Assim, como em vários outros
                    Momentos da minha vida.
                    Desliguei o chuveiro.
                    Me enxuguei.

                    Como deve ser a verdadeira forma de amar?
                    Pensei.
                    Eu tenho minha forma de amar.
                    E tenho certeza que não é um amor popular.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Ressaca, Vicíos e morte.





Eu assistia um filme e tomava um drink.
Eu tinha acabado de acordar e Angélica tinha feito um bolo e estava sentada na varanda fumando maconha.
Na época eu morava no terceiro andar.

       Não fui falar com ela de início, pois, a ressaca era bem pior com a mistura descontrolada de alucinógenos e álcool.
Fui até a geladeira.
Bebi água.
Puxei uma cerveja.
Acendi um cigarro.

- O dia mal começou e já tá uma merda. – comentei.
- Quer ir à praia. –disse ela sem desviar os olhos pra mim.
- Não. Quero ficar em casa pelo menos uma vez na semana. Tô mal pra caralho.
- Mas tu tá bebendo. Não?
- A cerveja é o melhor remédio pra qualquer ressaca.
- Parece que vai ter algo lá no bar do pirata.
- Nada de festa até sexta. Ok?
- Tudo bem.

O interfone tocou.

- Float.
- Quem é?
- É o Marcos do 905.
- Fala ai.
- eita macho véi. Tô precisando de uma grana. Pode me emprestar.
- Não.
- Tô doente, cara. Preciso esquecer isso.
- Não tenho. Sinto muito.
- Não faz isso comigo cara. Tu é a última pessoa que pode me ajudar nesse prédio. Ninguém mais quer me ajudar.
- Sinto muito, mas tenho que pagar umas contas.

Desliguei.
Voltei para o Sofá.

- Se o pau no cu do 905 ligar diz que saí.
- Tudo bem. Era ele?
- Era.
- O que ele queria.
- Dinheiro emprestado pra comprar pó, óxi, pedra, ou o cu da mãe dele ou algo que o valha.
- Não seja tão duro assim, Paixão. –disse ela me abraçando e me beijando.
- Cara chato da porra.
- Ele tem distúrbios.
- Que procure um psiquiatra, ou a porra de um psicólogo e me deixe de lado.

O interfone tocou outra vez.
Angélica foi atender.
- Oi. Tudo bem Marcos? Não. Ele acabou de sair. Não sei. Não quis me falar. O quê tá acontecendo, cara? Tá nervoso. Relaxa ai. Não. Tô zerada também. Relaxa ai cara. É só fissura tua. Cara tu é um vacilão mesmo. E os teus pais? Fodeu então. Não sei que horas ele volta. É melhor não. Abraços.

Desligou o interfone.

- Ele cheirou toda as coisas da casa dele. –disse ela assustada. E os pais dele vem pra cá. –disse ela vindo sentar ao meu lado.
- Antes os dele do que os meus. –respondi apagando o cigarro.

Levantei e fui até a cozinha.
Angélica foi para a varanda.
Me virei e vi ela sentada e voltei a dar as costa a ela.

- AAAAAHHH...! –gritou.

Sai correndo.

- Que porra foi essa? – perguntei assustado.

Um corpo estirado de costa pra cima.

- Ele se jogou paixão. –disse ela me abraçando.
- Que filho da puta. Viciado de merda. Pau no cu do caralho. Não precisava ter feito isso.

Não acreditava que era ele.
Fui até o interfone para ter certeza.
Liguei pra ele.
Ninguém atendeu.
Voltei.
Já estava cheio de gente ao redor do corpo.

- O filho da puta não atendeu. –comentei.
- Lógico ele tá ali estirado.
- Boyzinho dos infernos, não precisava ter feito isso.

Angélica começou a chorar.

- Não precisa chorar. Tuas lágrimas não vão trazer a vida desse porra.

Angélica continuou chorando. A policia apareceu e a ambulância também.

Enquanto eu o olhava estirado e ouvia o choro de Angélica me veio na mente que ele só poderia ter apagado por causa das drogas.

Apagou e nunca mais vai acordar.

sábado, 26 de julho de 2014

MTD, o que aconteceu?



Segui caminhando.
Essa cidade não é mais como antes.
Ninguém é como antes.
Acho que ela me perdeu.
E eu estou perdendo-a.
As paradas de ônibus estão abandonadas.

Os urubus brincam pela praça,
Sinal de que a cidade ficou imunda.
Até mais do que eu.
Será que o Régis ainda vende aquele
Hambúrguer podrão?
É um hambúrguer bom pra caralho.
Só perdia pro Hot dog da lanchonete do Vizinho.
Pena que foi o apelido que demos pro Gringo,
Ele contava umas piadas sem graça,
Mas ele era engraçado e bacana,
Vendia fiado pra gente.
Não conseguimos mais comprar fiado 
Por que ele foi pro Ceará, junto com seus filhos.

Passava nessa rua todo dia.
Tudo está diferente.
Os apartamentos viraram lojas,
E as lojas viraram restaurantes.
Olho o bar do Japão, desde que ele entregou
O ponto, esse local trocou mais de dono
Do que eu de casa.
Quando eu era criança, esse bar era uma sorveteria.
Tinha um aquário.
Meus pais sempre levavam meus irmãos e eu lá aos domingos
à noite.
Comíamos pizza e tomávamos sorvetes, e íamos embora pouco depois.

Uma mulher em frente de sua casa passa me olhando.
Acho que depois fofocará com as vizinhas.
16hrs da tarde. Acho que é hora de uma cerveja. 
Melhor não.
Madalena do outro lado da rua.
Não me vê.
Essa velha, não envelhece.
Desde quando me entendo por gente as mesmas rugas.
Ela vive pra cima e pra baixo.
Sempre sai no mesmo horário.

Em seguida passa uma garota.
Nunca a vi antes.
Bonita, belos seios.
Sorriu ao celular.
Sorriso branco.
Tão bonita que deve ser chata pra caralho.
TPM, contas, chifres e brigas.
Seu olhar denuncia a personalidade.

Um senhor que está bebendo lá no bar do Raimundão
Também a olha.
Entro e peço uma cerveja. 
Mudei de ideia.
O senhor me olha.
Ignoro-o olhando para o copo.
No copo não houve hambúrguer, sorvetes,
Fofocas, garotas ou urubus.
Só havia o reflexo de uma canção que não 
Queria mais lembrar.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Casos do Acaso (1/7): Tempestade, TV, chuva, pizza cerveja.

                 
                  Aquela quinta-feira tinha sido longa e intensa. Persistência depressão ao estilo Joy Division. Resolvi que na sexta seria um pouco diferente. Decidi fazer umas compras. Pizzas, cervejas, sorvete, filmes e sossego. As nuvens avisavam que ia chover. Eu, por minha vez, queria apenas passar a noite bebendo e comendo enquanto assistia TV.

                A chuva começou a cair naquela cidade amaldiçoada pelos piores suicídios, homicídios e corrupção. Durante a noite consegui ouvir a chuva cair nas arvores, na calçada e no telhado. Desmaiei antes que começasse o maldito programa do Jô Soares. Acordei no fim do programa. Olhei pra TV e começou um programa de esportes. Decidi colocar em algum canal evangélico. Sempre adorei o Teatro do apostolo Valdomiro, mas não fiquei muito tempo por lá, fui migrando de um canal pro outro. Queria assisti algo mais emocionante. Uma caçada inútil.

                Apenas series e filósofos estelionatários com seus livros de auto-ajuda de bolso, esportistas. Insônia surgiu enquanto a chuva desabava lá fora do meu aquário. Há poucos dias tinha terminado o relacionamento mais longo da minha vida até agora. Eu, a TV, o colchão, o ventilador, a geladeira e o fogão. Decidi comer mais e beber mais. Decidi tomar três rivotris e acabei dormindo.

                Acordei cedo, com a sensação de que tudo ao meu redor era pá e nada funcionava e nada funcionava como qualquer outra coisa. A chuva ainda desabava  Decidi fazer um café e fui pra varanda com o café e um lençol. Saudades de minha mãe nessas horas. Celular toca.
-Oi Ana. Falei com um tom sonolento.
-Ta bem? –perguntou.
-Normal.


                Conversamos as futilidades da vida, sobre projetos futuros e devaneamos coisas sem nexos. “O mundo é uma tempestade.” Disse ela rindo. Concordei. Nunca esquecia isso. Nem quando me sentia em paz.

terça-feira, 20 de maio de 2014

No final é sempre a mesma coisa.


No final é sempre a mesma coisa.
A historinha acaba sempre do mesmo jeito…
Sapatinho branco em todos cai bem...
Vai ver é assim mesmo.

Conheci Arlene em uma dessas festas no qual não fui o centro da atenção, mas tava no apoio.
Estava me desdobrando entre piadas, risadas e estórias.
Quem estava lá ouviu o caso da cadela cega que sempre caia na vala quando ouvia passos de gente.
Estava pátio fumando um cigarro quando ela me cumprimentou.
Nos apresentamos e ela disse que já me conhecia, já tinha ouvido falar de mim.
Minha fama chega sempre antes de mim.

Disse que acompanhava o meu blog e meus zines e gostava do que lia. Disse também que eu precisava mudar de vida ou algo do tipo.
Coitada.
Mal sabia ela.
Quem nasce rei nunca perde a majestade.
Quero distancia dessa gente meio Deus. Que fica tentando te moldar. Mas eu queria ver até onde aquilo ia chegar.
- Posso te sugerir uma coisa? – continuou ela.
- Pode! –respondi. 
Ela me deu um beijo e eu retribuí.
- Quero que você escreva sobre mim. –disse ela
- Mal te conheço, mas tem atitude. Gosto de mulheres assim.
- Entendo. Isso faz com que você não precise lutar contra a timidez pra chegar numa garota.

Até hoje desconfio que ela faça parte da laia do Dr. Ab, ou então ela andou fazendo o dever de casa através do que escrevo. Pensei. Bem, se ela me conhecia tão bem, então sabia que havia um risco de eu ligar pra ela no outro dia se tudo saísse bem.
- Vamos voltar lá pra dentro. Eles parecem divertidos.
- Oh, sim. Vamos. –disse eu com um ar de tédio.

                Entramos e nos separamos, fui logo à mesa encher meu copo. Vodka seguido de um vinho e por fim a cerveja. Estavam todos dançando. Poucas horas depois todos estavam bêbados. Inclusive Arlene e eu, quando ela me puxou, começamos a nos beijar e a nos acariciar e a nos tocar. Joguei-a no sofá e fui pra cima. Estava com uma blusa de botão e ela foi desabotoando. A intenção era fazer ali mesmo. Ficamos nas preliminares por muitos minutos e todos ali dançavam e gritavam. “Ritual de acasalamento? Vai saber.” Pensei. Volta e meia alguém me puxava pelos cabelos e despejava bebida na minha boca ou me dava um trago de cigarro.

Percebi que aquilo não ia mais além, era furada e decidi parar por ali mesmo. Peguei uma cerveja abri e tomei um gole. Esse gole me fez vomitar ali perto de onde o Dudu estava desmaiado de bêbado. Fui pro pátio, tomei outro gole e acendi um cigarro. Arlene chegou segundos depois.
- Qual o teu problema, porra? –Foi me questionando muito revoltada.
- Todos, ora essa. –disse eu com uma cara de bêbado que tinha vencido o cinismo.
- Teu problema é que você não leva as coisas a serio. Por isso que vive sozinho nessa vida chula.
- Não levo uma vida chula. Quero dizer... Essa noite foi bastante chula depois que nos conhecemos.
- Por isso que tu vai morrer só.
- Óbvio. Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos. É uma das leis básicas da vida.
- Idiota!
- Foda-se!


                Terminei a cerveja e joguei a garrafa no jardim. Entrei, peguei outra cerveja e sai sem me despedi das pessoas. Olhei a hora. Não tinha mais nada naquele horário pra mim. Segui caminhando cheguei em casa liguei a TV. Dormi. Acordei doente. O nome da doença era ressaca.