domingo, 13 de dezembro de 2015

Ressaca, Vicíos e morte.





Eu assistia um filme e tomava um drink.
Eu tinha acabado de acordar e Angélica tinha feito um bolo e estava sentada na varanda fumando maconha.
Na época eu morava no terceiro andar.

       Não fui falar com ela de início, pois, a ressaca era bem pior com a mistura descontrolada de alucinógenos e álcool.
Fui até a geladeira.
Bebi água.
Puxei uma cerveja.
Acendi um cigarro.

- O dia mal começou e já tá uma merda. – comentei.
- Quer ir à praia. –disse ela sem desviar os olhos pra mim.
- Não. Quero ficar em casa pelo menos uma vez na semana. Tô mal pra caralho.
- Mas tu tá bebendo. Não?
- A cerveja é o melhor remédio pra qualquer ressaca.
- Parece que vai ter algo lá no bar do pirata.
- Nada de festa até sexta. Ok?
- Tudo bem.

O interfone tocou.

- Float.
- Quem é?
- É o Marcos do 905.
- Fala ai.
- eita macho véi. Tô precisando de uma grana. Pode me emprestar.
- Não.
- Tô doente, cara. Preciso esquecer isso.
- Não tenho. Sinto muito.
- Não faz isso comigo cara. Tu é a última pessoa que pode me ajudar nesse prédio. Ninguém mais quer me ajudar.
- Sinto muito, mas tenho que pagar umas contas.

Desliguei.
Voltei para o Sofá.

- Se o pau no cu do 905 ligar diz que saí.
- Tudo bem. Era ele?
- Era.
- O que ele queria.
- Dinheiro emprestado pra comprar pó, óxi, pedra, ou o cu da mãe dele ou algo que o valha.
- Não seja tão duro assim, Paixão. –disse ela me abraçando e me beijando.
- Cara chato da porra.
- Ele tem distúrbios.
- Que procure um psiquiatra, ou a porra de um psicólogo e me deixe de lado.

O interfone tocou outra vez.
Angélica foi atender.
- Oi. Tudo bem Marcos? Não. Ele acabou de sair. Não sei. Não quis me falar. O quê tá acontecendo, cara? Tá nervoso. Relaxa ai. Não. Tô zerada também. Relaxa ai cara. É só fissura tua. Cara tu é um vacilão mesmo. E os teus pais? Fodeu então. Não sei que horas ele volta. É melhor não. Abraços.

Desligou o interfone.

- Ele cheirou toda as coisas da casa dele. –disse ela assustada. E os pais dele vem pra cá. –disse ela vindo sentar ao meu lado.
- Antes os dele do que os meus. –respondi apagando o cigarro.

Levantei e fui até a cozinha.
Angélica foi para a varanda.
Me virei e vi ela sentada e voltei a dar as costa a ela.

- AAAAAHHH...! –gritou.

Sai correndo.

- Que porra foi essa? – perguntei assustado.

Um corpo estirado de costa pra cima.

- Ele se jogou paixão. –disse ela me abraçando.
- Que filho da puta. Viciado de merda. Pau no cu do caralho. Não precisava ter feito isso.

Não acreditava que era ele.
Fui até o interfone para ter certeza.
Liguei pra ele.
Ninguém atendeu.
Voltei.
Já estava cheio de gente ao redor do corpo.

- O filho da puta não atendeu. –comentei.
- Lógico ele tá ali estirado.
- Boyzinho dos infernos, não precisava ter feito isso.

Angélica começou a chorar.

- Não precisa chorar. Tuas lágrimas não vão trazer a vida desse porra.

Angélica continuou chorando. A policia apareceu e a ambulância também.

Enquanto eu o olhava estirado e ouvia o choro de Angélica me veio na mente que ele só poderia ter apagado por causa das drogas.

Apagou e nunca mais vai acordar.