quarta-feira, 4 de junho de 2014

Casos do Acaso (1/7): Tempestade, TV, chuva, pizza cerveja.

                 
                  Aquela quinta-feira tinha sido longa e intensa. Persistência depressão ao estilo Joy Division. Resolvi que na sexta seria um pouco diferente. Decidi fazer umas compras. Pizzas, cervejas, sorvete, filmes e sossego. As nuvens avisavam que ia chover. Eu, por minha vez, queria apenas passar a noite bebendo e comendo enquanto assistia TV.

                A chuva começou a cair naquela cidade amaldiçoada pelos piores suicídios, homicídios e corrupção. Durante a noite consegui ouvir a chuva cair nas arvores, na calçada e no telhado. Desmaiei antes que começasse o maldito programa do Jô Soares. Acordei no fim do programa. Olhei pra TV e começou um programa de esportes. Decidi colocar em algum canal evangélico. Sempre adorei o Teatro do apostolo Valdomiro, mas não fiquei muito tempo por lá, fui migrando de um canal pro outro. Queria assisti algo mais emocionante. Uma caçada inútil.

                Apenas series e filósofos estelionatários com seus livros de auto-ajuda de bolso, esportistas. Insônia surgiu enquanto a chuva desabava lá fora do meu aquário. Há poucos dias tinha terminado o relacionamento mais longo da minha vida até agora. Eu, a TV, o colchão, o ventilador, a geladeira e o fogão. Decidi comer mais e beber mais. Decidi tomar três rivotris e acabei dormindo.

                Acordei cedo, com a sensação de que tudo ao meu redor era pá e nada funcionava e nada funcionava como qualquer outra coisa. A chuva ainda desabava  Decidi fazer um café e fui pra varanda com o café e um lençol. Saudades de minha mãe nessas horas. Celular toca.
-Oi Ana. Falei com um tom sonolento.
-Ta bem? –perguntou.
-Normal.


                Conversamos as futilidades da vida, sobre projetos futuros e devaneamos coisas sem nexos. “O mundo é uma tempestade.” Disse ela rindo. Concordei. Nunca esquecia isso. Nem quando me sentia em paz.

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