sexta-feira, 9 de maio de 2014

Os Conselhos de Dr. Ab (A vida vazia II)

Eu estava em outro conflito existencial. Isso não é nenhuma novidade.
Estava arrumando o meu apto, para esquecer os problemas. Mulheres, fome, a falta de emprego, a falta de cigarro e a bebida pra me acompanhar na minha solidão.

                Meu apartamento estava um caos, parecia que eu não limpava há décadas, garrafas espalhadas, bitucas, preservativos, e até mesmo calcinhas e sutiãs que garotas que passaram pela minha vida aqueles últimos meses estavam espalhadas por toda a parte, e as cinzas manchavam o tapete. No meio daquela bagunça encontrei o cartão do Dr. Ab.

                Dr. Ab era um psicólogo do tipo anormal do ramo. Ao contrario de seus colegas de profissão, ele não era um cretino. Ele não falava o que o paciente queria ouvir, ele era um sádico derrotado, que vivia por viver. A utilma vez que eu tinha me consultado com ele foi há uns 2 ou 3 anos antes.

                Decidi ligar pra ele pra saber se ele ainda usava aquela linha. O Telefone nem chamou. Tentei o celular, que chamou por quatro ou cinco vezes e então uma voz grossa e áspera:
- Dr. Ab falando.
- Oi Dr. Queria marcar uma consulta com o senhor...
- Primeiro quem está falando? Segundo Senhor ta na casa do caralho.
- Então, aqui é o Billy. Quero marcar uma consulta contigo.
- Pode ser agora, se quiser. Estou com o tempo livre.
- Não, agora não dá. Estou envolvido  num trabalho, e pelo jeito não irei acabar antes das 22h.
- Ok garoto, então me ligue quando estiver tranquilo.
- Sim. Então ligarei.

                Desliguei o celular e voltei ao meu serviço, e, acabei organizando meu apartamento às 2 da manhã.
No outro dia acordei com o meu cel tocando.
- Alô.
- Billy Podre?
- Sou eu mesmo. Quem está falando, e o que deseja?
- Aqui é Antonio, eu estava lendo uma coluna que tu tinha no jornal aqui do Jari, e gostei do que eu li. Tenho vaga pra você como enviado especial daí de mcp. “Free lance” aceita?
- Aceitaria nem que fosse de jornaleiro.
- Ótimo, então quero que você cubra ai em Macapá as manifestações sobre o aumento da tarifa de ônibus. Receberá 50 conto por coluna.
- Por 50 conto faria do Camilo uma puta.

                Fui ao protesto cheirei meio mundo de gás, mas fiz do protesto meus 50 conto. Enquanto eu escrevia eu ia me lemrando, e me lembrava com ódio cada momento. Aquilo era passageiro, e tudo o que está na moda o brasileiro quer.
Mandei os escritos por e-mail na mesma noite, e no outro dia fui ao banco e tinha 100 conto na minha conta. Liguei pro Dr. Ab, e marquei a consulta pro outro dia às 9 da manhã,

                Cheguei meia hora antes do horário marcado, o prédio era o mesmo. Fui à padaria da frente pedi um café, só que o local estava tão lotado que eu acabei deixando o café pela metade. Fiquei perambulando pela redondeza enquanto fumava um cigarro. Deu o horário e eu fui entrando. Falei com a recepcionista e ela disse que a sala era a mesma. Cheguei ao local e bati na porta.
- Entre! –disse ele com um tom autoritário.
- Bom dia doutor.
Não sei o que tem de bom. A vagabunda da minha secretaria pediu as contas e agora estou aqui até o rabo de serviços pra fazer. Puta, ordinária, preguiçosa! Você acredita que aquela chupadora me chamou de velho explorador,antiético e mão de vaca?
- Acredito Doutor.
- Cuzeira do caralho! Ajudei ela dando a porra desse emprego... A única coisa que ela tinha de fazer era atender a porra do telefone, anotar os recados e agendar os horários. Você garoto?
- O que tem eu? –perguntei.
- não ta precisando de emprego?
- Sim, mas creio que não é cabível eu trabalhar de secretario. Não me dou bem com outras pessoas.
-Então você é dos meus. Vamos para a outra sala, que essa sala de espera está me dando mais raiva.
(...)

- Então Billy, não me é estranho.
- Bem, da ultima vez que vim aqui bebericamos enquanto eu falava das minhas frustrações.
- Hm... E agora qual é o seu problema?
- Me sinto à margem de tudo. Não paro em emprego nenhum. Não passo mais de 3 meses com uma garota. Não passo mais de 3 meses em um lugar fixo.
- Quem é você?
- Já disse meu nome doutor. Meu nome é Billy.
- Não! Esse é o seu nome.
- Estou estudando, tenho uma banda, escrevo pra um jornal e desenho.
- Não! Isso é o que você faz.
- Sou o melhor! O mais foda! Odeio tudo e todos, não pego a nada.
- Deixe de ser idiota! Isso é o que você pensa. Você não é porra nenhuma do que disse. Nada disso faz a sua essência. Isso é apenas uma complementação...

                Ele me oferece um copo de Whisky. E eu continuando olhando pro seu bigode estilo mongol se movendo  enquanto fala. Seu olhar de mal-humor me encarando. Seus moletes se fora, ele envelheceu uns 10 anos nestes últimos anos. Ele encheu o copo dele.

- Bem, garoto. Vou acabar com esse teu papo de conflito existencial. Continua levando a merda da sua vida do mesmo jeito, só mude um pouco a tua rotina. Você é casado?
- Não!

- Então! Casasse, tenha filhos, e sustente todos eles, e então você irá se foder tranqüilo. Porra de crisinhas de merda. Isso é coisa de gente babaca, além de tão humano. Vá encher a cara, vá atrás de um rabo de saia e esqueça essa merda toda.

Outro caso envolvendo Dr. Ab: http://expulsodobar.blogspot.com.br/2010/09/vida-vazia.html

Um comentário:

  1. Noooossa muito bom! É difícil achar coisas boas na internet!
    Me faz uma visita? http://mardeletras2010.blogspot.com.br/2014/05/que-jesus-cristo-os-abencoe.html

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