quarta-feira, 26 de março de 2014

Natureza humana.

               

                Não é que eu goste das pessoas: Eu gosto das pessoas no qual me identifico.
Pois, a meu ver elas são boas, por mais horríveis que elas sejam. Porém, elas me furam e me cortam como as arvores e as flores.

                Lembro que eu sempre ia com meus pais pra um balneário, e o dia era tão natural, menos o que meu pai e os amigos da família bebiam. Sempre eu via os Eucaliptos que a Jarí plantava pra produzir celulose, às vezes rodávamos toda a região e eu cochilava entre eucaliptos e florestas virgens.

                Merda! foi em um desses passeios felizes com estradas entediantes que fiz meu primeiro poema. Meu pai guiava o carro enquanto no toca fita rolava Alceu, Fagner e coisas do gênero. Escrevi sobre nunca beber na frente dos meus filhos e ter aquele nirvana de patriarcal.

                Na época eu não pensava no futuro, assim como não penso agora. Porém, tudo era mais fácil. Meu pai sempre chegava sóbrio e sempre voltava bêbado, porém era bastante legal comigo e meus irmãos. Passávamos o dia todos felizes naturalmente: Água natural, piadas, risadas, paisagem. A única coisa que fodia ali era a porra da bebida: Está certo! A bebida é o maior relaxante pra uma conversa sincera, assim como os passeios entre florestas nativas e eucaliptos. Risadas e mais risadas. Bebidas e mais bebidas. Churrascos e mais churrascos.

                Tudo bem. Eu gostava das risadas. Eu não queria as merdas das bebidas, não queria aquilo pra mim, apesar de achar legal.
Em um desses passeios, joguei um copo descartável no chão e meu pai me perguntou:
- É isso o que você quer?
Olhei nos os olhos dele e não respondi.
E então ele disse: 
- Um dia isso vai voltar pra você, e todo o lixo vai vir em dobro, e você vai se adaptar como a floresta. Um dia você vai olhar pra traz e vai dizer “Que merda!”.
Eu tinha uns 10 anos na época, obviamente perguntei.

E ele continuou: - Você vai vivendo e vai absorvendo tudo isso. Um dia estará em uma cidade grande inalando todo o lixo dos carros, das pessoas e etc. Vai querer ter uma casa no 12° andar de um edifício só pra ver o mundo aos seus pés. Você fará questão de pagar alto. Você vai querer indo, dependo da sua condição. Existe uma coisa chamada inflação e imposto. você pode ter um carro um e pagará caro por ele. Você terá uma casa e pagará caro por ela.  Os teus brinquedos são mais caros do que deveriam, a nossa alimentação e baseada por imposto e inflação. Uma pizza tamanha família deveria ser 10 reais, mas são 12. E a sua coca deveria ser 50 centavos, mas é 1 real. E no fim das contas temos que agradecer a deus por sermos tão babacas.

Obviamente não entendi muito, mas entendi que não queria poluição e nem lixo e nem agradecer a Deus por sermos tão babacas.

Tem gente que ama isso! Mas qual a diferença? Depende do otário que queira adorar. Viva com dando as gorjetas e os impostos e os obrigados pra quem te fornece as coisas. Eles só vão dizer que é de nada, afinal eles só estão sobrevivendo como nós. Mas depois do que meu pai me disse, guardei o meu lixo e esperei até chegar em casa.

O que eu escrevo aqui não significa nada, a menos que queira mudar o lixo no qual você vive.

Foda-se! Muda séculos, décadas. E você não pode mudar um pouco do que é a sua vida? Qual a diferença? A diferença é você! Aqui estamos de volta a minha infância.  

quarta-feira, 5 de março de 2014

Futura ex-namorada


Acordei com o canto dos pássaros.
Nanda dizia que eu era o melhor pra ela.
Lembrei da simpatia do João Bidú.
Ela colocou algumas fotos na parede.
Disse que ainda era muito cedo pra morar comigo.
Um passo por vez.
Sua felicidade estampada em cada foto.
-Que saco.

A teoria do chato.
Ela disse algo.
Eu continuei calado.
A janela aberta..
O vento bate.
Ela está muito feliz.
Quanto tempo essa felicidade vai durar?
Ela me beija.
Me chama de benzinho.
Sua camiseta branca.
Sua pele rosada e macia.
Tão bela.
Costuma fumar sentada na janela.