sábado, 26 de julho de 2014

MTD, o que aconteceu?



Segui caminhando.
Essa cidade não é mais como antes.
Ninguém é como antes.
Acho que ela me perdeu.
E eu estou perdendo-a.
As paradas de ônibus estão abandonadas.

Os urubus brincam pela praça,
Sinal de que a cidade ficou imunda.
Até mais do que eu.
Será que o Régis ainda vende aquele
Hambúrguer podrão?
É um hambúrguer bom pra caralho.
Só perdia pro Hot dog da lanchonete do Vizinho.
Pena que foi o apelido que demos pro Gringo,
Ele contava umas piadas sem graça,
Mas ele era engraçado e bacana,
Vendia fiado pra gente.
Não conseguimos mais comprar fiado 
Por que ele foi pro Ceará, junto com seus filhos.

Passava nessa rua todo dia.
Tudo está diferente.
Os apartamentos viraram lojas,
E as lojas viraram restaurantes.
Olho o bar do Japão, desde que ele entregou
O ponto, esse local trocou mais de dono
Do que eu de casa.
Quando eu era criança, esse bar era uma sorveteria.
Tinha um aquário.
Meus pais sempre levavam meus irmãos e eu lá aos domingos
à noite.
Comíamos pizza e tomávamos sorvetes, e íamos embora pouco depois.

Uma mulher em frente de sua casa passa me olhando.
Acho que depois fofocará com as vizinhas.
16hrs da tarde. Acho que é hora de uma cerveja. 
Melhor não.
Madalena do outro lado da rua.
Não me vê.
Essa velha, não envelhece.
Desde quando me entendo por gente as mesmas rugas.
Ela vive pra cima e pra baixo.
Sempre sai no mesmo horário.

Em seguida passa uma garota.
Nunca a vi antes.
Bonita, belos seios.
Sorriu ao celular.
Sorriso branco.
Tão bonita que deve ser chata pra caralho.
TPM, contas, chifres e brigas.
Seu olhar denuncia a personalidade.

Um senhor que está bebendo lá no bar do Raimundão
Também a olha.
Entro e peço uma cerveja. 
Mudei de ideia.
O senhor me olha.
Ignoro-o olhando para o copo.
No copo não houve hambúrguer, sorvetes,
Fofocas, garotas ou urubus.
Só havia o reflexo de uma canção que não 
Queria mais lembrar.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Casos do Acaso (1/7): Tempestade, TV, chuva, pizza cerveja.

                 
                  Aquela quinta-feira tinha sido longa e intensa. Persistência depressão ao estilo Joy Division. Resolvi que na sexta seria um pouco diferente. Decidi fazer umas compras. Pizzas, cervejas, sorvete, filmes e sossego. As nuvens avisavam que ia chover. Eu, por minha vez, queria apenas passar a noite bebendo e comendo enquanto assistia TV.

                A chuva começou a cair naquela cidade amaldiçoada pelos piores suicídios, homicídios e corrupção. Durante a noite consegui ouvir a chuva cair nas arvores, na calçada e no telhado. Desmaiei antes que começasse o maldito programa do Jô Soares. Acordei no fim do programa. Olhei pra TV e começou um programa de esportes. Decidi colocar em algum canal evangélico. Sempre adorei o Teatro do apostolo Valdomiro, mas não fiquei muito tempo por lá, fui migrando de um canal pro outro. Queria assisti algo mais emocionante. Uma caçada inútil.

                Apenas series e filósofos estelionatários com seus livros de auto-ajuda de bolso, esportistas. Insônia surgiu enquanto a chuva desabava lá fora do meu aquário. Há poucos dias tinha terminado o relacionamento mais longo da minha vida até agora. Eu, a TV, o colchão, o ventilador, a geladeira e o fogão. Decidi comer mais e beber mais. Decidi tomar três rivotris e acabei dormindo.

                Acordei cedo, com a sensação de que tudo ao meu redor era pá e nada funcionava e nada funcionava como qualquer outra coisa. A chuva ainda desabava  Decidi fazer um café e fui pra varanda com o café e um lençol. Saudades de minha mãe nessas horas. Celular toca.
-Oi Ana. Falei com um tom sonolento.
-Ta bem? –perguntou.
-Normal.


                Conversamos as futilidades da vida, sobre projetos futuros e devaneamos coisas sem nexos. “O mundo é uma tempestade.” Disse ela rindo. Concordei. Nunca esquecia isso. Nem quando me sentia em paz.

terça-feira, 20 de maio de 2014

No final é sempre a mesma coisa.


No final é sempre a mesma coisa.
A historinha acaba sempre do mesmo jeito…
Sapatinho branco em todos cai bem...
Vai ver é assim mesmo.

Conheci Arlene em uma dessas festas no qual não fui o centro da atenção, mas tava no apoio.
Estava me desdobrando entre piadas, risadas e estórias.
Quem estava lá ouviu o caso da cadela cega que sempre caia na vala quando ouvia passos de gente.
Estava pátio fumando um cigarro quando ela me cumprimentou.
Nos apresentamos e ela disse que já me conhecia, já tinha ouvido falar de mim.
Minha fama chega sempre antes de mim.

Disse que acompanhava o meu blog e meus zines e gostava do que lia. Disse também que eu precisava mudar de vida ou algo do tipo.
Coitada.
Mal sabia ela.
Quem nasce rei nunca perde a majestade.
Quero distancia dessa gente meio Deus. Que fica tentando te moldar. Mas eu queria ver até onde aquilo ia chegar.
- Posso te sugerir uma coisa? – continuou ela.
- Pode! –respondi. 
Ela me deu um beijo e eu retribuí.
- Quero que você escreva sobre mim. –disse ela
- Mal te conheço, mas tem atitude. Gosto de mulheres assim.
- Entendo. Isso faz com que você não precise lutar contra a timidez pra chegar numa garota.

Até hoje desconfio que ela faça parte da laia do Dr. Ab, ou então ela andou fazendo o dever de casa através do que escrevo. Pensei. Bem, se ela me conhecia tão bem, então sabia que havia um risco de eu ligar pra ela no outro dia se tudo saísse bem.
- Vamos voltar lá pra dentro. Eles parecem divertidos.
- Oh, sim. Vamos. –disse eu com um ar de tédio.

                Entramos e nos separamos, fui logo à mesa encher meu copo. Vodka seguido de um vinho e por fim a cerveja. Estavam todos dançando. Poucas horas depois todos estavam bêbados. Inclusive Arlene e eu, quando ela me puxou, começamos a nos beijar e a nos acariciar e a nos tocar. Joguei-a no sofá e fui pra cima. Estava com uma blusa de botão e ela foi desabotoando. A intenção era fazer ali mesmo. Ficamos nas preliminares por muitos minutos e todos ali dançavam e gritavam. “Ritual de acasalamento? Vai saber.” Pensei. Volta e meia alguém me puxava pelos cabelos e despejava bebida na minha boca ou me dava um trago de cigarro.

Percebi que aquilo não ia mais além, era furada e decidi parar por ali mesmo. Peguei uma cerveja abri e tomei um gole. Esse gole me fez vomitar ali perto de onde o Dudu estava desmaiado de bêbado. Fui pro pátio, tomei outro gole e acendi um cigarro. Arlene chegou segundos depois.
- Qual o teu problema, porra? –Foi me questionando muito revoltada.
- Todos, ora essa. –disse eu com uma cara de bêbado que tinha vencido o cinismo.
- Teu problema é que você não leva as coisas a serio. Por isso que vive sozinho nessa vida chula.
- Não levo uma vida chula. Quero dizer... Essa noite foi bastante chula depois que nos conhecemos.
- Por isso que tu vai morrer só.
- Óbvio. Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos. É uma das leis básicas da vida.
- Idiota!
- Foda-se!


                Terminei a cerveja e joguei a garrafa no jardim. Entrei, peguei outra cerveja e sai sem me despedi das pessoas. Olhei a hora. Não tinha mais nada naquele horário pra mim. Segui caminhando cheguei em casa liguei a TV. Dormi. Acordei doente. O nome da doença era ressaca.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Acende um incenso, faz uma simpatia


             Lembro que na minha infância minha irmã vivia lendo as revistas do João Bidú. Às vezes ela fazia umas mandingas que aprendia com ele. Eu sempre ia espiá-la, e sempre eu era expulso, e ela nunca respondia minhas perguntas.

             A rua da minha casa não era asfaltada, mas era bem arvorada, fazendo com que a rua fosse toda sombreada e com frestas que faziam o sol penetrar.
Tive minha primeira amiga nessa mesma época e ela estudava comigo. Certo dia estávamos lanchando no playground do colégio. Eu comia uma maçã enquanto ela comia um pão com queijo. Conversávamos algo quando ela me beijou no rosto e saiu correndo. Não nos falamos pelo resto da manhã.

        Minha babá ia me buscar na escola, e nesse dia ela percebeu que eu não estava tão hiperativo e nem falando pelos cotovelos como normalmente, seguimos calado o percurso todo.
Cheguei em casa e continuei comportado e mudo. Minha mãe perguntou o que havia acontecido. Não respondi, mas minha irmã disse que era amor e contou toda a situação.
Eu nem sabia o que era amor. Na verdade até hoje não sei o que é. Mas ela disse que era por quê eu era do signo de peixes, e pisciano é propício a isso.

        No outro dia fui ao colégio, e ela estava lá com a sua mãe. A mesma veio falar comigo disse que eu era muito novo pra me apaixonar, que era pra parar de falar sobre aquelas coisas com a sua filha. Continuei sem falar com a garota na aula, eu estava quieto, quando minha babá perguntou se o amor não estava sendo correspondido e minha irmã continuou afirmando que era. Minha irmã  disse que ia ler uma simpatia do João Bidú sobre amor não correspondido e me ajudaria fazer e que tudo aquilo iria mudar. Minha babá achou genial.
No outro dia descobriram que aquilo não tinha haver com meu signo, nem com amor e nenhuma simpatia do João poderia dar jeito, pois, eu estava com catapora.
Fiquei em quarentena em casa. Nada de colégio, nada de quintal, nada de natação, bicicleta. Brincava apenas com meus irmãos dentro de casa, pois, eles já tinham pegado, então não tinha risco.

         Me recuperei um mês antes do fim do ano letivo e tudo tinha zerado entre eu e a minha amiguinha. Voltamos a ser como carne e unha, andávamos de mãos dadas, brincávamos e lanchávamos juntos. No ultimo dia de aula estava tendo reunião de pais e mestres, eu e ela estávamos sentados na escada quando dei o primeiro beijo. Na verdade ela quem me beijou.
- Tom, vou viajar. –ela disse.
- Pra onde? –perguntei.
- Vou pra fortaleza visitar meus avos. Minha mãe disse que vamos voltar pouco antes das aulas começarem. Vou sentir saudades.
- Eu também. Espero que as férias passem bem rápidas.

         As férias chegaram e me lembrava dela. Nos fim das férias eu já tinha esquecido-a. Nunca mais a vi. E nunca mais senti saudades. Acho que o nome dela era Fabiana. Não me lembro. Faz muito tempo.


sexta-feira, 9 de maio de 2014

Os Conselhos de Dr. Ab (A vida vazia II)

Eu estava em outro conflito existencial. Isso não é nenhuma novidade.
Estava arrumando o meu apto, para esquecer os problemas. Mulheres, fome, a falta de emprego, a falta de cigarro e a bebida pra me acompanhar na minha solidão.

                Meu apartamento estava um caos, parecia que eu não limpava há décadas, garrafas espalhadas, bitucas, preservativos, e até mesmo calcinhas e sutiãs que garotas que passaram pela minha vida aqueles últimos meses estavam espalhadas por toda a parte, e as cinzas manchavam o tapete. No meio daquela bagunça encontrei o cartão do Dr. Ab.

                Dr. Ab era um psicólogo do tipo anormal do ramo. Ao contrario de seus colegas de profissão, ele não era um cretino. Ele não falava o que o paciente queria ouvir, ele era um sádico derrotado, que vivia por viver. A utilma vez que eu tinha me consultado com ele foi há uns 2 ou 3 anos antes.

                Decidi ligar pra ele pra saber se ele ainda usava aquela linha. O Telefone nem chamou. Tentei o celular, que chamou por quatro ou cinco vezes e então uma voz grossa e áspera:
- Dr. Ab falando.
- Oi Dr. Queria marcar uma consulta com o senhor...
- Primeiro quem está falando? Segundo Senhor ta na casa do caralho.
- Então, aqui é o Billy. Quero marcar uma consulta contigo.
- Pode ser agora, se quiser. Estou com o tempo livre.
- Não, agora não dá. Estou envolvido  num trabalho, e pelo jeito não irei acabar antes das 22h.
- Ok garoto, então me ligue quando estiver tranquilo.
- Sim. Então ligarei.

                Desliguei o celular e voltei ao meu serviço, e, acabei organizando meu apartamento às 2 da manhã.
No outro dia acordei com o meu cel tocando.
- Alô.
- Billy Podre?
- Sou eu mesmo. Quem está falando, e o que deseja?
- Aqui é Antonio, eu estava lendo uma coluna que tu tinha no jornal aqui do Jari, e gostei do que eu li. Tenho vaga pra você como enviado especial daí de mcp. “Free lance” aceita?
- Aceitaria nem que fosse de jornaleiro.
- Ótimo, então quero que você cubra ai em Macapá as manifestações sobre o aumento da tarifa de ônibus. Receberá 50 conto por coluna.
- Por 50 conto faria do Camilo uma puta.

                Fui ao protesto cheirei meio mundo de gás, mas fiz do protesto meus 50 conto. Enquanto eu escrevia eu ia me lemrando, e me lembrava com ódio cada momento. Aquilo era passageiro, e tudo o que está na moda o brasileiro quer.
Mandei os escritos por e-mail na mesma noite, e no outro dia fui ao banco e tinha 100 conto na minha conta. Liguei pro Dr. Ab, e marquei a consulta pro outro dia às 9 da manhã,

                Cheguei meia hora antes do horário marcado, o prédio era o mesmo. Fui à padaria da frente pedi um café, só que o local estava tão lotado que eu acabei deixando o café pela metade. Fiquei perambulando pela redondeza enquanto fumava um cigarro. Deu o horário e eu fui entrando. Falei com a recepcionista e ela disse que a sala era a mesma. Cheguei ao local e bati na porta.
- Entre! –disse ele com um tom autoritário.
- Bom dia doutor.
Não sei o que tem de bom. A vagabunda da minha secretaria pediu as contas e agora estou aqui até o rabo de serviços pra fazer. Puta, ordinária, preguiçosa! Você acredita que aquela chupadora me chamou de velho explorador,antiético e mão de vaca?
- Acredito Doutor.
- Cuzeira do caralho! Ajudei ela dando a porra desse emprego... A única coisa que ela tinha de fazer era atender a porra do telefone, anotar os recados e agendar os horários. Você garoto?
- O que tem eu? –perguntei.
- não ta precisando de emprego?
- Sim, mas creio que não é cabível eu trabalhar de secretario. Não me dou bem com outras pessoas.
-Então você é dos meus. Vamos para a outra sala, que essa sala de espera está me dando mais raiva.
(...)

- Então Billy, não me é estranho.
- Bem, da ultima vez que vim aqui bebericamos enquanto eu falava das minhas frustrações.
- Hm... E agora qual é o seu problema?
- Me sinto à margem de tudo. Não paro em emprego nenhum. Não passo mais de 3 meses com uma garota. Não passo mais de 3 meses em um lugar fixo.
- Quem é você?
- Já disse meu nome doutor. Meu nome é Billy.
- Não! Esse é o seu nome.
- Estou estudando, tenho uma banda, escrevo pra um jornal e desenho.
- Não! Isso é o que você faz.
- Sou o melhor! O mais foda! Odeio tudo e todos, não pego a nada.
- Deixe de ser idiota! Isso é o que você pensa. Você não é porra nenhuma do que disse. Nada disso faz a sua essência. Isso é apenas uma complementação...

                Ele me oferece um copo de Whisky. E eu continuando olhando pro seu bigode estilo mongol se movendo  enquanto fala. Seu olhar de mal-humor me encarando. Seus moletes se fora, ele envelheceu uns 10 anos nestes últimos anos. Ele encheu o copo dele.

- Bem, garoto. Vou acabar com esse teu papo de conflito existencial. Continua levando a merda da sua vida do mesmo jeito, só mude um pouco a tua rotina. Você é casado?
- Não!

- Então! Casasse, tenha filhos, e sustente todos eles, e então você irá se foder tranqüilo. Porra de crisinhas de merda. Isso é coisa de gente babaca, além de tão humano. Vá encher a cara, vá atrás de um rabo de saia e esqueça essa merda toda.

Outro caso envolvendo Dr. Ab: http://expulsodobar.blogspot.com.br/2010/09/vida-vazia.html

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Uma declaração de amor que não fez o menor sentido


Estava eu em um desses tributos chulas que acontecem todo o ano. Acho que era o tributo ao Legião Urbana. Tinha chegado de viagem na madrugada anterior, e já tinha extrapolado no Uísque e na cerveja o dia inteiro. O local era a praça da bandeira e por onde andava, eu me sentia obrigado a cumprimentar as pessoas, às vezes parava pra jogar conversa fora e depois continuava caminhando com uma barata tonta até encontrar outros conhecidos. Logo encontrei a Bell. Eu estava tendo um pequeno caso com ela. Nada sério. Ficamos nos curtindo um pouco e depois nos separamos.

Em uma dessas caminhada sem rumo encontrei uma garota que tinha ficado há uns 2 anos antes. E eu já não mantinha tanto contato.
- Oi Billy. –Disse ela com um sorriso.
- Haha... E ae, Rose. Como ta? –Respondi devolvendo o sorriso.
               
                Nos abraçamos e em seguida nos cerramos o abraço, ofereci um pouco da minha bebida a ela:
- Que bebida é essa? –Perguntou-me.
- Ah é theachers. Gosta de Uísque?
- Não sei. Nunca tomei. O que anda fazendo por aqui?
- Nada. Só dando um tempo mesmo.
- Hm... E a namorada?
- Me largou há uns meses.
- Pensei que vocês iriam ficar juntos pra sempre.
- Eu também.

                Ela me abraçou de novo e me apertou bem forte. Fiquei meio assustado com aquilo. Olhei pra um lado, olhei pro outro. Dei um sorriso sem jeito pra ela, tomei um belo trago da dose seguidamente de um trago de cigarro. Sem ao menos retribuir o abraço.
Ela começou a dançar a baladinha que a banda tava tocando e eu só acompanhei. Seus cabelos loiros, seu rosto encostado no meu peito...
De forma impulsiva me sai dos braços dela e fui andando meio constrangido. Encontro uns amigos, vi a Bell sentada na escada e fingi que nem a conhecia.
               
                Caminho mais um pouco e sou abordado por uma garota gordinha, com cara de porquinha da índia. Ela me xinga e começar a me pergunta por amigo meu que é seu ex-namorado até que finalmente a reconheci. Ficou ali minutos me alugando. Falou da sua vida de merda sem ele, falou que a única coisa que a deixava bem era o álcool. Até que desliguei minha atenção para as palavras dela. Ela falava e eu ficava só balançando a cabeça em concordância, e falava “Pode crer”. Ela desiste de mim e volto a conversar com um casal de amigos. Fico lá uns instantes e saio paro um pouco, tomo um gole e acendo um cigarro. Um abraço por trás. Era Rose. Ela me vira e me beija no rosto. Ela já estava com uma aparência de bêbada.
- Hora do D’javú. –Disse ela.
- O quê? –Perguntei assustado e sorrindo da situação.
- Já estar bêbado?
- Sim. Mas sou duro na queda.
- Lembra quando ficamos aqui na praça da bandeira?
- Sim. O Quê que tem?
- Então... Acho que já pode me beijar.

                Olhei para as pessoas ao redor enquanto ela me beijava no pescoço e no rosto enquanto eu escapava dos beijos na boca.
- Anda Billy, Me beija, Porra! Qual o teu problema.
- Foda-se! Não quero. Caralho.
- O problema foi que eu fiquei com o seu amigo? Me desculpa. Eu tava muito bêbada. Eu tinha apenas 17 anos. Agora não sou mais assim... Você deve pensar que sou uma puta, e deve me odiar por causa disso...
- Calma ai. Não te odeio. Não teve nada a ver esse papo. Tava nem ai se Você ficou com o Marcelo. Nem tínhamos nada sério. E idade não significa nada. Já fiquei com garotas de 15 anos bem mais sábias que as de 27.
- Você me desculpa?
- Pelo quê?
- Billy tu é um dos caras que sempre idealizei pra mim. Ainda gosto muito de ti daríamos muito certo...
- Não fale besteiras. Sou muito problemático pra entrar em seus sonhos. Quem sabe um dia, mas agora estou ficando com a Bell.
- Gosto de você e acho ela legal. Mas você e ela... Ela é legal, mas vocês não formam um belo casal...
- Não queremos ser vistos como um belo casal.
- Não importa. Nada vai mudar o que penso.
- Bem, vou ali com a Bell. Ela ta me chamando.

                Ela me deu um beijo no rosto e se foi. Abro a garrafinha e descubro que a bebida tinha acabado. Vou até Bell e ela me dá um beijo.
- Hey Garota, estava embaraçado com a Rose? Qual era o papo? –Ela me perguntou com um sorriso irônico.
- Nada. Só recebi uma bela declaração de amor que não fez o menor sentido. Vamos pra um lugar mais calmo. Esse evento ta chato.


                Levei ela pra um lugar mais calmo. Na verdade ela me levou. Fomos pra um bar não tão distante dali. Comprei algumas cervejas, ficamos rindo da vida antes de irmos pra casa dela.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Marina, Eu, Meu Pai e Todo o Resto

               

                Segui pela orla do Sta. Inês sentido centro, o vento do amazonas estava forte, mas não amenizava os primeiros vestígios de suor saindo de minha testa. A maré estava baixa e assim eu podia sentir o cheiro de merda e lixo que torna o rio mais lindo do mundo em uma piada para o povo tucuju.

                Poderia ter alguns jogadores de futelama à margem desse rio tão lindo, mas o que havia eram urubus comendo tripa de porco. Em um bairro cheio de matadouros clandestinos é normal se deparar com cenas como esta.

Pensei nos trabalhadores dos lixões, e seus problemas com álcool, e com a falta de comida, e o cheiro de seus lares e até mesmo nas dúzias de filhos que os ajudam os pais pra nas despesas do barraco. Eles também devem urubus, pois, devem saber que são protegidos por lei. Sendo os urubus protegidos por lei, a tendência é aumentar a população de aves tão odiadas, mas que contribuem pro meio ambiente ao contrario de nós.

Quando estava em frente ao teatro me deparo com Marina com uma tatuagem do Bike Mice From Mars em sua grossa coxa direita. Ela tem uma bela perna pra uma menina magra.
Ela odeia Nirvana. Diz que Nirvana foi a maior merda dos anos 90. A única coisa boa que o vocalista fez, foi ter se matado levando consigo milhares de fãs que também fizeram o mesmo quando souberam de sua morte. Não discordo tanto dela.

                Ela tinha um péssimo hábito de me chamar de cretino ou cachorro, e sempre me convida pra tomar café em uma cafeteria que tinha ali na alameda, eu, por minha vez sempre recuso o convite.
(...)
                - Com um cretino como você não gosta de café? –Me perguntou.
                - Bem, você tem o direito de não gosta de musicas, e eu tenho o direito de não gostar de café. – Respondi.
                - Tem chocolate. Aceita?
                - Não gosto de chocolate também. Obrigado mesmo assim.
                - Não gosta de café. Não gosta de chocolate. Não gosta de comer. Não gosta de dormir. Do quê tu gosta?
                - Beber, transar, ouvir musica e ficar deitado.
                - Bem tipinho escritores e poetas.
                - Não. Esse tipo de gente sabe como se defender.
                - E Você não sabe?
                - Não.

Um urubu pousa do outro lado da viela, e pensei: Urubus devem ser o cruzamento de pombo, galinha e rato. Evitei o comentário pra não dá motivos pra Marina me chamar de idiota.
Um senhor me olhou sério por cima dos óculos. Ele era cauvo, moreno, usava um bigode e tinha nariz de batata. Lembrei do meu pai. Será que tal sentimento é particular de todos de origem pisciana?

                Marina falava algo sobre a faculdade dela.
                - Tenho três trabalhos pra entregar...
                E eu pensava: “O que meu diria se me visse aqui? Talvez ele ficaria orgulhoso de saber que seu filho caçula não gay...
                -... Não agüento mais o meu professor de...
“... Acho que isso é saudade do meu pai. Tenho que ir visitá-lo. Também quero arrumar um emprego e quem sabe uma namorada depois...”
-... Acho que vou tomar outra xícara. Que um cigarro?
- Ah! Sim. To precisando de um mesmo. –aceitei.
- E como está indo o curso?
- Ah, ta legal. To aprendendo coisas sobre ergonomia e higiene no trabalho.
- Vamos embora? –ela me pergunta já pagando a conta.
- Pra onde? –pergunto.
- Tomar uma cerveja naquele quiosque da Veiga Cabral e depois ir pro curso.
- Pode crer. Vamos lá.

                Marina é tão linda, pena que não tem atitude na cama. Seu sorriso branco. Seus belos seios macios e arredondados. Seu ódio por musica. Seu amor por café, fotografia, livros, filmes, lugares calmos. Sua vontade de querer viver pra sempre em todos os lugares que ela já viajou. Os urubus, essa cidade, Kurt Cobain, moradores de lixão, eu, meu pai, o chocolate, o Rio Amazonas são apenas defeitos e qualidades que mostram que Deus sabe o que faz.


                Eu só queria transar aquele dia, mas acabei indo pro curso e ela foi pra um bar junto com seus amigos Hipsters e descolados. Ainda bem que Deus sabe o que faz. Hoje ela está grávida e eu não estou na lista dos supostos pais. Que bom. Não consigo me imaginar sendo pai daquela criança.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Natureza humana.

               

                Não é que eu goste das pessoas: Eu gosto das pessoas no qual me identifico.
Pois, a meu ver elas são boas, por mais horríveis que elas sejam. Porém, elas me furam e me cortam como as arvores e as flores.

                Lembro que eu sempre ia com meus pais pra um balneário, e o dia era tão natural, menos o que meu pai e os amigos da família bebiam. Sempre eu via os Eucaliptos que a Jarí plantava pra produzir celulose, às vezes rodávamos toda a região e eu cochilava entre eucaliptos e florestas virgens.

                Merda! foi em um desses passeios felizes com estradas entediantes que fiz meu primeiro poema. Meu pai guiava o carro enquanto no toca fita rolava Alceu, Fagner e coisas do gênero. Escrevi sobre nunca beber na frente dos meus filhos e ter aquele nirvana de patriarcal.

                Na época eu não pensava no futuro, assim como não penso agora. Porém, tudo era mais fácil. Meu pai sempre chegava sóbrio e sempre voltava bêbado, porém era bastante legal comigo e meus irmãos. Passávamos o dia todos felizes naturalmente: Água natural, piadas, risadas, paisagem. A única coisa que fodia ali era a porra da bebida: Está certo! A bebida é o maior relaxante pra uma conversa sincera, assim como os passeios entre florestas nativas e eucaliptos. Risadas e mais risadas. Bebidas e mais bebidas. Churrascos e mais churrascos.

                Tudo bem. Eu gostava das risadas. Eu não queria as merdas das bebidas, não queria aquilo pra mim, apesar de achar legal.
Em um desses passeios, joguei um copo descartável no chão e meu pai me perguntou:
- É isso o que você quer?
Olhei nos os olhos dele e não respondi.
E então ele disse: 
- Um dia isso vai voltar pra você, e todo o lixo vai vir em dobro, e você vai se adaptar como a floresta. Um dia você vai olhar pra traz e vai dizer “Que merda!”.
Eu tinha uns 10 anos na época, obviamente perguntei.

E ele continuou: - Você vai vivendo e vai absorvendo tudo isso. Um dia estará em uma cidade grande inalando todo o lixo dos carros, das pessoas e etc. Vai querer ter uma casa no 12° andar de um edifício só pra ver o mundo aos seus pés. Você fará questão de pagar alto. Você vai querer indo, dependo da sua condição. Existe uma coisa chamada inflação e imposto. você pode ter um carro um e pagará caro por ele. Você terá uma casa e pagará caro por ela.  Os teus brinquedos são mais caros do que deveriam, a nossa alimentação e baseada por imposto e inflação. Uma pizza tamanha família deveria ser 10 reais, mas são 12. E a sua coca deveria ser 50 centavos, mas é 1 real. E no fim das contas temos que agradecer a deus por sermos tão babacas.

Obviamente não entendi muito, mas entendi que não queria poluição e nem lixo e nem agradecer a Deus por sermos tão babacas.

Tem gente que ama isso! Mas qual a diferença? Depende do otário que queira adorar. Viva com dando as gorjetas e os impostos e os obrigados pra quem te fornece as coisas. Eles só vão dizer que é de nada, afinal eles só estão sobrevivendo como nós. Mas depois do que meu pai me disse, guardei o meu lixo e esperei até chegar em casa.

O que eu escrevo aqui não significa nada, a menos que queira mudar o lixo no qual você vive.

Foda-se! Muda séculos, décadas. E você não pode mudar um pouco do que é a sua vida? Qual a diferença? A diferença é você! Aqui estamos de volta a minha infância.  

quarta-feira, 5 de março de 2014

Futura ex-namorada


Acordei com o canto dos pássaros.
Nanda dizia que eu era o melhor pra ela.
Lembrei da simpatia do João Bidú.
Ela colocou algumas fotos na parede.
Disse que ainda era muito cedo pra morar comigo.
Um passo por vez.
Sua felicidade estampada em cada foto.
-Que saco.

A teoria do chato.
Ela disse algo.
Eu continuei calado.
A janela aberta..
O vento bate.
Ela está muito feliz.
Quanto tempo essa felicidade vai durar?
Ela me beija.
Me chama de benzinho.
Sua camiseta branca.
Sua pele rosada e macia.
Tão bela.
Costuma fumar sentada na janela.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Escondendo-se na gaiola



Sim, eu sei.
Ainda tenho um problema pra me readaptar.
Talvez seja você.
Talvez seja mesmo eu.
Talvez seja a vontade de continuar.
Mas prefiro esconde-lo.
É o melhor que faço.

Bem, eu não sou quem quero ser.
Às vezes estou eufórico.
Mas prefiro esconder.
Você percebe do ponto de vista específico.
Não há nada interessante outra vez.
E no final tento descrever. 

Não importa aonde eu vá:
Na esquina ou no bar.
Não importa o que eu faça:
Mude de casa 10 vezes ao ano,
Me tranque dentro de uma gaiola
Caminhe perdido por ai,
Ou ligue pra dizer que sinto sua falta.
Estou deitado em um belo gramado
Tentando esconder que é sempre você.