quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Cartas, Cacos e Lágrimas.





Uma vez fui visitar os meus pais, queria me aliviar um pouco.
Alice foi em 2006. Ou 2007, não me lembro.
Ela estava na casa de uma vizinha e decidiu ir até em casa pra falar comigo.
Me deu uma carta.
Outra carta.
- Eu ainda não te esqueci. –disse ela.

Será que isso tem algum dedo do João Bidú?

- Posso entrar? –perguntou.
- Pode sim.

O vinho imperador não estava no estoque.
Percebi quando ela sentou no sofá.

- O quê fará hoje? –perguntou outra vez
- Sairei pra ensaiar e beber com os amigos. –respondi outra vez.
-Você nunca para.

Andei até a geladeira. Peguei uma cerveja. Voltei a sentar e tomei um belo gole e não respondi, apenas fiquei olhando pra ela.

- Isso responde minha pergunta. –concluiu.
- Eu não mereço. Você e ninguém merecem. Vamos para o quintal de casa. Aqui está muito quente!
- Vamos. O quê ninguém merece?
- Você!
- O quê você tem?

O que eu tinha não poderia ser chamado de amor e nem era relacionado a signos.

- Quero Passar o resto da tarde aqui. –me disse ela.
- Não! Quero beber olhando pra você ou conversando. –disse eu de forma educada.
- Você se tornou uma pessoa fria.
- Não. Não me tornei.

Acho que o passado me persegue.

- Faz muito tempo que não conversamos. Você me odeia? –questionou.
- Não! Eu não te odeio Alice! O quê tu quer? Por que me persegue?

Voltei à infância, quando a “namoradinha” decidiu gostar de mim quando eu não gostava mais dela.

- Lembra quando todos diziam que éramos um belo casal? –Disse ela com um sorriso singelo.

Não costumo encontrar uma garota que tenha algo que reflita a mim mesmo.

- Não. –respondi depois do ultimo gole.
- Ainda está com aquela menina que lhe vi na Praça da Bandeira no dia mundial do rock?
- Acho que não.

Políticos fazem campanhas prometendo mundo e fundos, mas o povo não precisa de promessa. O povo precisa de mudanças.

Joguei a garrafa no meio de outras garrafas e elas se quebraram. Os cacos são armadilhas.
Ela achou que eu tinha mudado minha ideia sobre ela, não posso culpá-la e nem posso dar o que ela realmente quer.
Talvez ela queira o placebo. Entrei e peguei outra cerveja, voltei e ela estava lá me olhando.
- Não vai olhar o papel? –perguntou já sabendo a resposta.
- Acho melhor não.
- Por quê?
- Não vai fazer diferença.

Seu olhar entristece e ela baixa a cabeça. Me sinto um merda. Garotas e as suas mil e uma maneiras de dramatizar as coisas para nos fazer suas vontades.
- O quê foi Alice? –perguntei.
-Não faço nenhuma diferença na tua vida. Nunca fiz, mas pelo menos eu tento.

Coisa estúpida. Desde cedo sei como é não ser correspondido.
Os cacos continuam espalhados pelo chão. Os cacos são uma de minhas marcas registradas.
Lembrei quando estava em depressão e chorei no ombro dela e pedi pra darmos um tempo.
Ela saiu, foi embora lagrimando.
Canto dos Malditos na terra do nunca.
Guardei o papel.
Nunca li.
Preferi não saber a profundidade das feridas.

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