domingo, 10 de novembro de 2013

Sobre a certeza da incerteza

Eu nunca consigo seguir o caminho pela mão certa.
Agora eu confesso: vivo me arriscando e acho que estou certo.

- E você gostaria de viver com alguém que pense assim? –Perguntei para Amanda.
- Se eu não gostasse já tinha te largado há tempos.  –Me respondeu com o ar de tédio que só ela tem.

Amanda e suas horríveis manias de querer saber tudo sobre a minha vida. Ela mal sabe feia é a minha mania de complicar tudo deixando as coisas passarem despercebidas e, as vezes  eu finjo não ver. Varia, depende do meu estado.

- E você iria querer? – Perguntou enquanto me fitava deitado no sofá.
- Não por muito tempo. –Respondi.
 Minha vida é uma tortuosa contramão, eu espero que os carros comecem a desviar e parem de me acerta como sempre.
- Você entendeu certo? –Questionei.
Do que você está falando? –Retrucou meio irritada.

Penso...

- Não sei. Só sei que é assim.

Não posso explicar uma coisa que mal entendo.
A roleta russa da certeza.
Besteira é não ter duvidas.
Alguém saiu e me deixou gritando dentro do quarto.
Mas eu consegui me adaptar com aquele lugar tão úmido e abafado.
Ainda sim continuo me tornando enfeite de jardim.
- É bem assim. –Conclui.

E eu que volta e meia acredito nas minhas mentiras mais verdadeiras que não me deixam dormir durante dias.
Olho pela janela. Outra janela.
-Então é isso? –Ela me questiona.

Nunca consigo ficar parado no mesmo lugar por muito tempo.
Não consigo mante o foco por muito tempo.
Acho que o problema é o alcoolismo.
Nenhuma certeza.
Nenhum “ismo”.
Utopia que nunca chega!

Apenas corro. Corro pela contramão.
Vez ou outra eu recebo uma multa.
O cheiro da terra me acalma no inicio da chuva.
- Acho que sim respondi. –respondi.

Às vezes pego carona.
Poucos param pra mim.
Não me importa,
Prefiro quando é assim.
- O que tu achas? –Perguntei.
- O que?


E uma duvida que realmente não terá certeza.

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