quinta-feira, 13 de setembro de 2012

No quarto do mal humorado





Acho que acostumei a ficar sentado no meu humilde quarto, fazendo com que meus pensamentos façam algum sentido.
Já vejo o bastante da humanidade nas praças, nos bares, nos mercados, nos cafés, nos taxis, nas viagens e etc. Mas nem eu e nem você pode mudar ou conter esses seres de fácil sociabilidade.
Quando  vou às festas sinto vontade de ser arrebatado, procuro alguém pra me tirar de todo aquele barulho e ficar conversando em paz, festas já não é mais divertida. Comigo não funciona mais, já tenho diversões peculiares pra me agradar.
Então me canso e preciso sumir para desacumular  toda a coisa ruim que me acumulo  o tempo todo.

Sentado aqui no meu aquário fumo um cigarro enquanto aprecio um belo café e assim os pensamentos surgem e passa pela caneta até chegar no papel.
Às vezes me canso do meu quarto e vou atrás de alguma garota uma garota interessante que possa me agradar, mas como de praxe eu não encontro, a linha de raciocínio delas são lentas onde acabo nem prestando tanta atenção ao que ela falas, e meu pensamento voa pra outro canto e isso é perturbador , é um soco constante  na minha cara. Eu me torno um maldito idiota, mal-humorado.
Mas qualquer um pode ser ou é um idiota e mal-humorado e esse é o meu maior conforto.

No fundo sinto-me frustrado, derrotado e confuso e um tanto deprimido.
Então comecei  a lembrar que  a minha vida só piorava, e precisava passar o tempo fazendo outras, ver um pouco menos o brilho das estrelas, esquecer do glamour decadente e construir um vitorioso, qualquer bosta que me fizesse vivo.
Eu perco a vontade de viver que minha vida se resume a nada e que a vida é um trabalho pesado. Pensava em todas as vezes que tive as melhores oportunidades que tive por besteira.
Isso é assustador, é algo surpreendente, é simplesmente idiota.

Por tanto lá eu estava, cá estou eu enjoado da vida outra vez.
Entrei, fui à geladeira, puxei uma cerveja, abri e voltei para o meu quarto de misérias, fiquei tomando calmamente a cerveja porque estou vivo de qualquer forma e me sinto um velho com uma cerveja ao lado.
Liguei o som, e quanto mais eu bebo mais as lembranças surgem e mais, me sinto um cão idiota. Me olho no espelho a cara de babaca está lá estampada com olheiras profundas uma perfeita adoração sem fim pela melancolia.

Nas ruas passavam alguns idiotas, alguns conhecidos. Na TV os comediantes são dramáticos supérfluos e os dramáticos são comediantes geniais, mas no meio disso tudo não há muitas alegrias. Apenas cerveja.


extraído do Fanzine Teoria, pratica e voz de um veterano ofegante. (29/06/2012)

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