sábado, 3 de setembro de 2011

waiting for nothing




Um Martini por que acabou a cerveja.
Um Agosto se foi, e outro setembro chegou.
Eu pensei que tinha sido meses, mas já se foi o ano…
Ainda tenho sede de muita coisa.
Olho da varanda e nunca sei o que estou esperando.
Mas olho, perdido, mas eu olho.
A cada momento.
Espero.
Sem querer eu espero.
E assim vou enjoando cada vez mais rápido de lugares e das pessoas e desistindo delas.
As palavras e os risos já vão perdendo os valores em novos dias.
E às vezes só isso já é o bastante.
A cada idade os dias correm mais rápidos.
O passado cada vez mais distante e um tanto quanto apagado.
O vazio nunca quer me largar.
Contaminando todas as células do meu corpo.
Esmurrando-me feito um lutador enfurecido.
Já não durmo direito na noite.
Converso menos ainda com as pessoas de casa.
E tão pouco na rua.
Não sei realmente em que época ou lugar deva pertencer.
Não importa. Qualquer lugar é sempre a mesma coisa.
Mas descobri que cada vez mais álcool não faz esquecer.
O efeito é totalmente o contrario.
Mais se beber se tem mais motivos pra lembrar.
As noites continuam longas e infernais.
Os programas horríveis.
Os canais reprisando as mesmas coisas.
Os astros são um bando de palhaços patéticos tentando tirar a sua atenção.
E nós sabemos muito bem o que é, mas preferimos fingir não saber.
Tenta ver a parte boa, tenta ri com as séries.
Galãs são tão monstruosos e defeituosos.
Viciados, polêmicos. Ficam mais velhos e mais estúpidos
Depois viram avôs ou velhos cheio de histórias pra contar.
E esquecemos o quão decadente eles acabaram se tornando.
O espelho da decadência é segurado por um controle.
Envelhecemos decadentes como eles.
E tudo a nossa volta se torna decadente com a gente.
E ai os nossos filhos chegam, crescem e se tornam mais decadentes do que agente.
E como pais somos nos tornamos o ápice da hipocrisia, tentando ser certinhos para os nossos filhos, mas é tão inútil.
Nossas tentativas frustrantes de não ser decepcionante.
Mas se há algo na vida é que nunca é tarde.
Sempre existirá algo que vai mudar o curso de nossas vidas.
Eu tento, mas eu não consigo.
Eu luto pra ser alguém melhor do que eu.
Mas nada é pra sempre.
Viro a garrafa do Martini.
Último gole.
Deixo-a fazendo companhia para as Long-necks
Quase 23.
Quase 14 meses e outra garrafa de bebida barata.
Outro começo de outro fim.
Num piscar chegou o desgosto.
Outra garrafa e acabou agosto.
Mas ainda estou aqui sentado esperando.
Por algo que nem mesmo eu sei o que é.
E enquanto eu não sei.
A única coisa que posso fazer é espera.