terça-feira, 7 de setembro de 2010

A vida vazia part 2: sexo, alcool e frustração



Ritchie está fazendo uma pequena turnê pelos bares do centro daquela cidade.
O céu esta escuro, nenhuma estrela pra iluminar aquela noite. O som das pessoas falando simultaneamente se misturando com o som do bar e com o barulho da banda marcial. Um outro bar pra pensar melhor na vida. Olhar perdido no balcão, o Rum corta sua garganta, enquanto o desfile de 7 de setembro acontece um pouco mais adiante, afastado.
Tristeza alternativa.
suas musicas preferidas não eram tocadas em publico, pois as pessoas daquele lugar tinham gostos fúteis e vulgar.
Casais passam por aquele ser solitário.
enxergam mas renegam a existência, pois eles querem mesmo comemorar o dia do sexo. Pessoas fazem sexo quase todo o dia e ainda tem motivo pra comemorar?

por isso que o mundo sofre com o mal da AIDS. Espero que uma DST abrace todos vocês até o ultimo suspiro.
Inveja? Talvez não, a solidão é tão companheira.
nenhum relacionamento realmente é como gostaríamos que fosse.


É um momento de solidão reflexiva…
Aquele momento, Aqueles pensamentos, a dose de Rum, aquela frustração.

- Amigo mais uma dose, dupla.

 meses se tornaram anos…
As lembranças embaçada, parece que não tinha começado há quase 4 meses atrás.
as lembranças já não pareciam mais ser dele.
Como se alguém tivesse contado pra ele tudo aquilo…
das conversas varanda do ninho de amor.
Aquele momento tão Gabriel Garcia Marques, tão Franz Kafka, completamente Em Linha Reta.
Será que ele e ela eram felizes como no final de qualquer conto de fadas?

As lembranças dos belos momentos, a risada tímida do primeiro encontro, as conversas nas escadas daquele parque, e os beijos nas esquinas viciadas… Agora eles não se preocupam com eles mesmos…
Sua aparência triste, tão vazio, vestígio de crise existencial.
 “ele é positivo de mais pra mais pra mostrar infelicidade”.

 O vazio em seu coração é esfriado com um gole de vinho que começou a tomar, pra poder ter o luxo da felicidade. Nem que seja instantânea que a bebida está lhe presenteando.
É uma frustração tão visceral.
Ali em uma sarjeta com seus pensamentos frustrantes.

- Sou eu uma pedra dessas que não pode se mover sem a ajuda de alguém? Suas doses, seus questionamentos, sua frustração.

-E antes disso agente planejava muitas coisas dentro de momentos completamente contrários a esse. E agora minha vida soa tão “Balada do corcel verde e velho.”

Memórias que não se apagam.
 E ele que já tinha experimentado de tudo…
Tantos momentos.
Tantos lábios.
Conseguiu fazer parte do mundo de varias garotas, recebeu tantos sorrisos.
E por mais que tivesse feito parte da vida de todas elas. Ele não sabia realmente como era o peso do abandono.
Nesses pensamentos e lembranças uma melodia tão perfeita que nada poderia compor. Era tão empolgante quanto às gigs que ele gostava de ir. Nada melhor que o som do silêncio, que fazia ouvir o grito mais alto de seus pensamentos mais distantes. À noite, sua vida, seu vinho.

Seus pensamentos passaram a ser “A seguir”.
A seguir, o silêncio tomará o espaço onde antes havia o jardim em que nós dois juramos ser felizes…

O caminho de volta pra sua casa fica a cada gole mais distante.
o cansaço expulsou metade dos alcoólatras do mesmo bar do inicio.

- Um copo até a borda de vodka.

- Ora Ritchie, hoje não quis dar seus pequenos shows particulares?

- Sabemos que hoje todos iriam atender ao meu pedido. Não iria gritar o foda-se pra cada um.

- Ainda bem, pois eu to cansado de te expulsar desse bar.

- Pois é seu Nelson, hoje eu não senti tesão em maltratar as pessoas.

Logo chega um antigo conhecido.

- Ta perdido Ritchie?

- Não! To tentando esquecer o que sempre me vem da lembranças.

- Cara, você não existe!

- então, eu também andei pensando nisso hoje de manhã…

- Por onde estava?

- Estava com bebidas, minhas lembranças, minha frustração, com problemas de relacionamentos.
um copo até a borda de Campari.

- Que merda!

- É a saidera, pra afetar minhas memorias…

- Pode crer então da uma dose?

- Ai véi, não fode essa é a ultima da noite.

- De boa, uma cerveja…

- A saidera de hoje.

- Ta certo, como quiser…

- então, minha diversão acabou…

entra no quarto dominado por baratas, mas bagunçado que o Carandiru, aliás se aquilo fosse o Carandiru as baratas seriam os carcereiros, na TV apenas um típico filme brasileiro.
E enquanto o sono não chega, a ânsia de vomito lhe consome por completo.
E mais uma vez ele descobre a igreja de todos os bêbados.
Dorme pensando em esquecer tudo o que aconteceu.

2 comentários:

  1. Gostei do texto. É o estilo que eu gosto. Fala de muita coisa, mas ao mesmo tempo, não fala de nada.

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  2. n se afunde Ritchie, tudo passa ;)

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